quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Catástrofe no Rio


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Nesta terça-feira, falava-se da tragédia acontecida na região serrana do Rio de Janeiro, onde as cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo foram completamente devastadas pelas enxurradas que não cessavam. Além de alguns pontos em São Paulo. Porém somente nesta quarta-feira é que o Mundo pode ver o que acontecia naquelas regiões do Brasil. O Rio, região serrana foi o mais castigado onde as proporções foram ainda maiores; ficando completamente destruídas. As cidades inexistem. Desde 1996 as tragédias já vinham acontecendo, repetindo-se nos anos de 2002, 2003, 2005, 2009, 2010 e agora em 2011. Percebia-se que a natureza queria de certa forma avisar que algo de muito grave estava por acontecer. Mas a humanidade parecia não querer acreditar. Será que precisamos chegar a esta situação para acordarmos? Ou ainda continuaremos a dormir, de olhos fechados e braços cruzados? Será que poderíamos ter evitado tudo isto? Poderíamos ter feito algo?
            Segundo o Professor Moacyr Duarte – UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista de riscos diz que sim, que esta catástrofe poderia ser evitada, mas então por que não o fizemos? Segundo ele tudo isto está relacionado ao impacto ambiental, ao descaso que estamos dando ao nosso meio ambiente. Fala da necessidade de um estudo ambiental antes das ocupações, das construções. Mas como pudemos verificar estes estudos não eram feitos, as ocupações nos morros, continuavam; as pessoas devastando os morros, não respeitando os ambientes que vivem. Além disso, o local fica onde existem rios encaixados, as encostas cederam, o vale era um vale inclinado toda água chega à cabeça do rio numa velocidade aproximada de 80 km/h. Ainda segundo o que diz o Prof. Moacyr, rochas de 80 a 100 toneladas desceram, as águas dos rios subiram 5 a 6 metros depois de uma hora de chuvas constantes.
            Até o momento o número de vítimas atingiu o número de 352 mortos sendo 36 em Petrópolis, 148 em Teresópolis e 168 em Nova Friburgo. Acredita o professor, que o número de mortos possa duplicar ou triplicar podendo ainda chegar a 500 mortos ou mais. Uma região ainda isolada, a de Campo Grande onde se acredita que pelo menos 150 pessoas estejam soterradas. Muitos lugares ainda estão sem acesso até para as equipes de resgate. As áreas atingidas estão devastadas como que a passagem de um terremoto. Estima-se certa de 3000 desabrigados só no Rio de Janeiro. Na tentativa de salvar aquelas pessoas três bombeiros morreram soterrados. Uma alegria, para os presentes, em Nova Friburgo após 10 horas um bebê foi resgatado com vida debaixo dos escombros. O pai da criança foi retirado depois de mais cinco horas de escavações, também com vida.

   

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            Já em Franco da Rocha, São Paulo continua chovendo. E a previsão é de mais chuvas, tempo está completamente fechado. Região com vários prédios públicos todos em baixo de água, sendo delegacia de polícia, prefeitura, fórum e câmara municipal. A praça da cidade totalmente alagada, onde o rio cruza a cidade e recebeu uma quantidade de água que veio da represa Paiva Castro (Mairiporã), que teve de ser aberta para que a catástrofe não fosse ainda maior. Toda essa água desembocando no rio, liberando 80 metros cúbicos por segundo no rio de Franco da Rocha que já não suportava mais tanta água. Não há registro de mortos ou feridos, mas 35 famílias foram desalojadas. Nas ruas, lixo; muitos entulhos, às águas dos esgotos e fluviais misturam-se e podemos imaginar as consequências de tudo isso. Pessoas tomando banhos nestas águas, o perigo de doenças desde leptospirose, tétano, hepatite A, gastrenterites, diarréias. Alerta-se pelo perigo do tétano e autoridades pedem que à população procure por posto saúde para tomar vacinas de tétanos e hepatite. Mas será que os postos ainda têm estruturas e vacinas ou será que as águas também levaram tudo? Uma verdadeira calamidade pública. Dor na panturrilha, dor nos olhos, febre alta, podem são sintomas de leptospirose. E se alguém sentir estes sintomas precisa procurar o serviço de saúde urgente. O risco de morte existe.
            Já o Engenheiro e Professor Albert Saiam, diz que poderíamos ter amenizado isto, situações parecidas ocorreram nos anos de 1966 e 1967. Ele fala da instabilidade do terreno, do problema da ocupação desordenada, das escavações que as pessoas fazem para construção de casas, com as degradações das encostas chegando a uma erosão. Sem a vegetação para proteger o terreno, a terra se encharca e com as chuvas que não param. A terra não absorve tanta água, não se contém chegando ao clímax da situação.
            A presidente Dilma Rousseff irá sobrevoar o local, e um hospital de campanha será construído para atendimento das pessoas; o governo federal já liberou 780 milhões para recuperação.
            Outros países estão passando por estas calamidades, Austrália é um exemplo, e por que será que tudo isso está acontecendo no Brasil e no mundo? Há aproximadamente 25 ou 30 anos falava-se na possibilidade das geleiras derreteriam, devido ao aquecimento global, mas ainda naquela época a população não acreditava nestas previsões. Percebemos que o planeta está gritando, pedindo socorro, pedindo para ser socorrido e ser cuidado. Mas o que fazemos? Poluímos, desmatamos, jogamos lixo, e não reciclarmos. Precisamos fazer nossa parte. Ou lutamos pelo planeta ou seremos vitimas de nós mesmos.
            As catástrofes não param de acontecer no Brasil e no mundo, são enchentes, quedas de barreiras, entre outras coisas. E o que faremos para mudar isto? 
            Precisamos de saneamento básico, tratamento da água, tratamento do lixo, aliás, não tratarmos lixo como lixo. Levarmos mais a sério a reciclagem e acima de tudo a destinação do lixo, com 100% de aproveitamento, separando em recicláveis e orgânicos onde podemos reaproveitar para adubos. Precisamos de campanhas de conscientização para a separação e reaproveitamento do lixo. Precisamos de programas para uma reeducação ecológica e mudarmos nossos hábitos para sermos mais conscientes com nosso planeta. Já existem leis para a reciclagem, mas quantas pessoas levam isso a sério? E a fiscalização? Porém antes disto precisamos de consciência, sem ela as leis não terão o mesmo valor. Precisamos de propagandas, programas, que mostrem ao povo da necessidade disto, as escolas precisam ter um plano para ensinar a reciclagem, os postos saúde devem acompanhar, estendendo-se o ensinamento nas casas, como fazem nos programas que já existem como os agentes comunitários, com visitas e conscientização. Lembrando que conhecimento não é consciência. Um trabalho que necessita sim de consciência e de amor para realizar, por que sem amor não realizamos nada. Uma verdadeira conscientização coletiva. Precisamos de usinas de lixo para que todo lixo seja reaproveitado e não mais jogado na natureza. Precisamos dar condições para pessoas que não tem onde morar, construirmos verdadeiros condomínios populares, e dependendo das condições até que seja sem custos nos casos de tragédias, e com baixos custos para pessoas de baixas rendas, condomínios estes com infraestrutura, e onde se possa aproveitar as águas das chuvas e a luz solar. Investirmos em fontes renováveis e limpas, não esquecendo do aproveitamento dos ventos. Precisamos aprender com estas catástrofes para que possamos reconstruir, mas reconstruir com consciência ambiental. Mas que não sejamos egoístas e que nossos planos e estratégias possam através da ONU - Organização das Nações Unidas, se estender a outros países, a humanidade necessita mudar não somente nós, do Brasil, mas o mundo, afinal o planeta pede por socorro. A luta é uma luta silenciosa. Mas que precisa da união dos povos para que seja posta em prática. Vamos nos unir pelo planeta e pela vida numa causa de amor pela humanidade.


                 

           
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Texto: Ismênia Nunes
Estudante de Jornalismo